Demolição de casarão histórico gera comoção e debate sobre preservação em Serrinha; veja vídeo

Ana Nobrega
Pavimentação

Demolição do chalé da família Franco, construído em 1915, divide opiniões e levanta questionamentos sobre o futuro do patrimônio histórico de Serrinha.

Foto: Aílton Pimentel/Arquivo 


A demolição de um casarão histórico ao lado da igreja nova, no centro de Serrinha, nesta quinta-feira (17), provocou forte comoção entre moradores e reacendeu o debate sobre a preservação do patrimônio arquitetônico da cidade. O imóvel, conhecido como chalé da família Franco, construído em 1915 por João Eustáquio da Silva e posteriormente adquirido por Jovino Alves Franco em 1923, fazia parte da paisagem e da memória afetiva de gerações.

O casarão foi vendido e, com a autorização dos atuais proprietários, começou a ser demolido para dar lugar, possivelmente, a um prédio moderno voltado ao comércio. Nas redes sociais, moradores expressaram sentimentos de tristeza, indignação e, por outro lado, aceitação diante da ideia de “progresso”.

“Meu Deus, doeu meu coração, meu sonho de infância era conhecer o interior dessa casa”, comentou uma internauta. “Entendo os donos, mas realmente bate uma tristeza em ver esse símbolo cair assim”, lamentou outro morador. Já entre os que apoiaram a demolição, uma seguidora escreveu: “Se fica abandonado, o melhor seria isso mesmo. Melhor que deixar do jeito que estava”.

O casarão, em estilo neoclássico, era um dos três exemplares desse tipo ainda existentes no interior da Bahia. Moraram nele Bráulio Franco, sua esposa Zilda e seus quatro filhos, todos nascidos no imóvel.

Apesar do impacto, muitos reconhecem o desafio que é manter uma construção centenária em boas condições, sobretudo sem o apoio efetivo dos órgãos públicos. “Não se pode culpar os proprietários”, diz um morador, “mas é triste ver que a história está sendo apagada em nome da modernidade”.

A demolição reacende a discussão sobre a ausência de políticas públicas efetivas para preservar imóveis históricos. “Isto é revoltante. Existem leis que impedem que a história de uma cidade seja jogada fora como lixo”, criticou uma internauta. “Sr. prefeito, pode nos explicar por que isso está ocorrendo?”

Enquanto a especulação imobiliária avança, outros casarões antigos seguem à venda ou abandonados em Serrinha, à espera de destino semelhante. Como bem lembra um morador em tom de alerta: “Uma cidade sem passado é uma cidade sem futuro”.

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