Condenada a 14 anos por passar batom em estátua, mulher segue presa enquanto assessor da deputada Erika Hilton que pichou ministério permanece empregado

Ana Nobrega
Pavimentação

Contraste entre as decisões judiciais de Débora Rodrigues e Samuel Santos levanta debate sobre seletividade da Justiça brasileira.

Foto: Internet


A disparidade nas decisões judiciais brasileiras voltou a ganhar destaque após a divulgação de dois casos recentes que escancaram o contraste no tratamento dado a réus envolvidos em atos políticos.

Débora Rodrigues, jovem sem antecedentes criminais e mãe de três filhos, foi condenada a 14 anos de prisão por ter passado batom em uma estátua durante os atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A acusação: “atentado ao Estado Democrático de Direito”. Segundo a sentença, mesmo sem envolvimento direto em depredações ou atos violentos, o gesto simbólico foi interpretado como suficiente para justificar uma pena severa. Débora continua presa, e sua família enfrenta dificuldades com sua ausência.

O caso tem gerado indignação principalmente quando comparado ao de Samuel Santos, militante ligado ao PSOL e atualmente assessor parlamentar da deputada federal Erika Hilton (SP). Em dezembro de 2022, Santos foi detido após pichar o prédio do Ministério da Educação, ainda durante o governo Bolsonaro. Apesar do dano estimado em R$ 1.100 para a limpeza da fachada de 72 metros quadrados, o caso foi encerrado com o pagamento de apenas R$ 300 a uma entidade assistencial, conforme acordo proposto pelo Ministério Público Federal. A investigação da Polícia Federal também foi arquivada.

Mesmo após o episódio, Samuel foi mantido no cargo de secretário parlamentar no gabinete de Erika Hilton, com salário líquido de R$ 3.125,11 e auxílio de R$ 1.784,42.

A diferença no tratamento dado aos dois casos reacendeu críticas sobre a seletividade do sistema de Justiça brasileiro. Especialistas e comentaristas apontam que, enquanto alguns réus recebem penas brandas e mantêm cargos públicos mesmo após cometerem crimes, outros — em especial pessoas humildes — enfrentam condenações desproporcionais e consequências devastadoras.

O episódio alimenta o debate sobre critérios adotados pela Justiça, o uso político das instituições e os limites entre punição e perseguição. A história de Débora Rodrigues agora simboliza uma discussão maior: a de que nem todos são julgados com o mesmo rigor no Brasil.


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