“Alexandre de Moraes” prende “Bolsonaro” em desfile de Lula; veja vídeo

Ana Nobrega
Pavimentação

Homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva e críticas a Jair Bolsonaro marcam apresentação da Acadêmicos de Niterói e dividem opiniões sobre o uso da festa como palco de disputa ideológica.

Foto: Reprodução/Vídeo


O desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (15.fev.2026), na Marquês de Sapucaí, também trouxe referências diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em um enredo que misturou exaltação política e crítica explícita.

No quarto carro alegórico, a escola apresentou uma alusão a Bolsonaro por meio de um palhaço caracterizado como presidiário, usando tornozeleira eletrônica. A crítica também apareceu na comissão de frente, com outro personagem trajando terno azul. Em uma das alegorias, a encenação retratou o ex-presidente sendo preso pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou o desfile do camarote do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), ao lado de aliados e convidados. O Palácio do Planalto orientou ministros de Estado a não desfilarem na avenida.

A Acadêmicos de Niterói estreou no Grupo Especial do Carnaval do Rio com o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, celebrando a trajetória política do presidente e reforçando a narrativa de superação e retorno ao poder.

Polarização na avenida: quando o samba vira palanque

O episódio reacende o debate sobre a crescente polarização política em eventos culturais de grande alcance popular, como o Carnaval. Tradicionalmente marcado pela crítica social, o desfile das escolas de samba sempre dialogou com temas políticos. No entanto, o que se observa nos últimos anos é uma intensificação do embate partidário explícito, transformando manifestações artísticas em extensões da disputa eleitoral.

Quando a arte se aproxima demais da militância, corre-se o risco de dividir o público em vez de promover reflexão coletiva. A Sapucaí, símbolo de diversidade e pluralidade cultural, acaba refletindo a mesma tensão que domina o debate público nacional: aplausos entusiasmados de um lado e indignação do outro.

A crítica política é legítima e faz parte da história do Carnaval. O desafio está em manter o equilíbrio entre liberdade artística e responsabilidade social, para que a festa popular não se transforme apenas em mais um capítulo da guerra ideológica que marca o Brasil contemporâneo.

Assista:

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