Governo barra convocação de Lulinha e dirigente do PT na CPMI do INSS

Ana Nobrega
Pavimentação

Base governista fecha portas na CPMI e impede avanço de apurações sobre suposto esquema no INSS.

Lula, Lulinha e Ricardo Bimbo – Fotomontagem: AP


A base governista no Congresso atuou para impedir a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e do coordenador nacional de Tecnologia e Informação do PT, Ricardo Bimbo, na CPMI do INSS. As rejeições ocorreram durante sessão desta quinta-feira (4), marcada por tensão e troca de acusações entre aliados e oposicionistas.

Por 19 votos a 12, a comissão rejeitou ouvir Lulinha. A oposição tentava convocá-lo após vir à tona o depoimento de um ex-auxiliar do “Careca do INSS” à Polícia Federal, que acusa o filho do presidente Lula de receber R$ 300 mil mensais e um total de R$ 25 milhões. A moeda não foi especificada. O governo trabalhou para descredenciar o delator e também votou contra sua oitiva.

Reportagens anteriores do Poder360 e do Metrópoles já haviam detalhado pontos do suposto esquema. Morando em Madri desde 2025, Lulinha não se manifestou sobre as novas denúncias.

Na mesma sessão, a CPMI também vetou a convocação de Ricardo Bimbo, dirigente histórico do PT. A oposição queria questioná-lo após revelações de que o Coaf identificou movimentações financeiras suspeitas entre ele e a ADS Soluções e Marketing, empresa investigada por envolvimento no possível desvio de recursos de aposentadorias e pensões do INSS.

Segundo Relatórios de Inteligência Financeira enviados ao colegiado, Bimbo recebeu pagamentos entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024. Além disso, entre agosto de 2023 e julho de 2024, a ADS enviou 22 transferências à Datacore, que somaram R$ 8,29 milhões — sendo R$ 2,5 milhões já após Bimbo ingressar como sócio da empresa.

Com militância no PT desde 1989, Bimbo integrou a equipe da campanha presidencial de Lula em 1998 e ocupou diferentes cargos no partido. Ele também trabalhou na gestão Marta Suplicy em São Paulo e já teve seu nome citado em um inquérito do Ministério Público paulista sobre suposto favorecimento a entidades ligadas a ativistas petistas.

As decisões da CPMI reforçam o embate político em torno das investigações, enquanto a oposição promete insistir nas convocações.

OPINIÃO DO REDATOR:

A decisão do governo de barrar as convocações de Lulinha e de Ricardo Bimbo escancara uma postura que enfraquece a transparência e coloca em xeque o compromisso com a investigação plena dos fatos. Ao impedir que personagens diretamente citados em denúncias prestem esclarecimentos, a base governista não apenas desestimula a busca pela verdade, mas também alimenta suspeitas de proteção política. Em uma CPMI que deveria trabalhar em favor da clareza e da responsabilidade pública, atuar para frear depoimentos essenciais soa mais como blindagem do que como comprometimento com a justiça.


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