Criminosos foram rastreados na Rocinha, Complexo de Israel, da Maré, Santa Tereza e Cabo Frio.

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As favelas do Rio de Janeiro são como um “bunker” para traficantes de todo o país. Redutos do Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), abrigam integrantes de diversos estados, principalmente as lideranças, procuradas pela polícia. Desta forma, refugiados fazem dos morros um ‘home office do crime’, onde coordenam as ações, como o tráfico de drogas e armas, a execução de inimigos e até extorsão a comerciantes em seus estados de origem. Pelo menos cinco chefes dessas organizações que atuam na Bahia foram rastreados lá, de acordo com uma força-tarefa liderada pela Polícia Federal baiana.
Uma das principais peças do CV no tráfico internacional de armas na Bahia, e por isso tido como um “cabeça-cara” para a polícia, é o ex-morador da Boca do Rio, Rodolfo Borges Barbosa de Souza, de 34 anos, conhecido como o Barão do Tráfico. Até outro dia, encabeçava a lista de lideranças refugiadas no Rio de Janeiro. Ele estava na Rocinha, a maior favela do Brasil e a maior da América Latina, que abriga quase 70 mil pessoas em uma área de 143,72 hectares, delimitada pelos bairros da Gávea, São Conrado e Vidigal. Mas um vacilo que ele deu, no último dia 30, custou a sua liberdade.
“Na Rocinha, movimentava milhões. Numa dessas transações, de uma só vez, ele negociou a venda de 200 pistolas para aqui. Foi preso em Lauro (de Freitas). Achava que estava tudo tranquilo, ‘de boa’ e a gente pegou. Estávamos há dois anos na cola dele”, diz um agente que participou da operação integrada com a participação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal, Ministério Público da Bahia (MPBA), da Polícia Militar da Bahia, além da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Bahia (FICCO) da Polícia Civil da Bahia (PCBA).
De acordo com as investigações, além de ser um dos principais responsáveis por suprir o poder bélico do CV, o traficante tinha a função de abastecimento de drogas e produtos químicos controlados, utilizados na produção de entorpecentes. Em nome dele, existiam dois mandados de prisão em aberto, expedidos pela Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem de Capitais. Rodolfo é uma das lideranças do CV nas regiões do Nordeste de Amaralina, em Salvador, e no bairro de Portão, em Lauro de Freitas.
O agente não deu detalhes da prisão e nem onde ele está detido, mas disse que o Barão do Tráfico é um articulador. “Muitos desses armamentos pesados chegaram à Bahia com o crescimento do Comando Vermelho no estado. No caso dos fuzis, boa parte da carga é fabricada no Leste Europeu e, posteriormente, vendida para a América Latina. O Paraguai, o exportador mais próximo do Brasil, envia para o Rio, que faz a redistribuição. Rodolfo é quem trata de todo o esquema”, explica a fonte.
Entre outras negociações de Rodolfo está um carregamento com 25 armas do CV, incluindo fuzis, apreendido no sudoeste baiano, que foi o fio do novelo para o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) chegar a uma das rotas de tráfico internacional de armas no Brasil. A ação deu origem à operação Dakovo (leia detalhes abaixo). “Foi em Vitória da Conquista. Mesmo com o código de série raspado, usamos uma tecnologia que fez o cruzamento de dados e foi possível mapear a trilha da compra de fuzis no Leste Europeu”, conta a fonte.
Após perícia técnica, foi identificado que todas as armas tinham origem de uma empresa importadora do Paraguai, que comprava armamento da Croácia, Eslovênia, República Tcheca e Turquia, e revendia para facções brasileiras. Há indicativos de participação de doleiros e empresas de fachada dos Estados Unidos no esquema.
Não foi a primeira vez que Rodolfo acabou detido. Em 25 de novembro de 2020, ele foi preso em um dos apartamentos do edifício Mansão Ilha de Delfos, no Alto do Itaigara, um dos endereços mais caros da capital baiana. À época, ele ofereceu R$ 100 mil aos policiais militares, que recusaram. Ele foi surpreendido enquanto dirigia um Audi A5. Os policiais foram até o apartamento dele e encontraram porções de skank e haxixe, além de anotações do comércio de entorpecentes e armas. Além disso, R$ 58 mil foram apreendidos.
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