Pesquisa revela que 56% da população associam a saída do senador do país a uma possível tentativa de evitar investigações no STF; postura também provoca divergências entre eleitores da direita.
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A viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos após o resultado das eleições de outubro de 2026 foi reprovada por 62% dos brasileiros, segundo levantamento da consultoria Quaest. Apenas 29% dos entrevistados consideraram correta a decisão do parlamentar de deixar o país.
A pesquisa, realizada entre o final de outubro e o início de novembro, ouviu 2.004 pessoas e aponta um cenário de resistência à postura adotada pelo senador após o resultado das urnas.
Além da viagem, as declarações de Flávio Bolsonaro questionando a lisura do processo eleitoral também enfrentam rejeição. De acordo com o levantamento, 59% dos entrevistados discordam das contestações feitas pelo parlamentar em relação ao pleito.
Outro dado que chama a atenção é a percepção sobre os motivos da viagem. Para 56% dos brasileiros, a saída do senador teria como objetivo evitar investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os assuntos mencionados estão apurações envolvendo o financiamento de uma cinebiografia sobre seu pai, Jair Bolsonaro, e possíveis esquemas de lavagem de dinheiro.
Divisão no campo conservador
A postura de Flávio também provocou divergências entre setores da direita. Entre eleitores que se identificam como de direita, mas não se consideram bolsonaristas, as opiniões sobre a viagem aparecem divididas.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, a reação do senador após a derrota eleitoral contribuiu para criar divergências dentro do campo conservador. Esse cenário pode abrir espaço para o surgimento de outras lideranças na oposição.
O levantamento também identificou sinais de insatisfação entre os próprios eleitores de Flávio Bolsonaro. Aproximadamente 20% dos que votaram no senador discordam de sua postura de não aceitar o resultado das urnas.
Enquanto isso, a crença na existência de fraudes eleitorais permanece em 30% da população, índice que, segundo os dados apresentados, se mantém estável em comparação com o cenário registrado quatro anos atrás.
Os números indicam que a viagem aos Estados Unidos e os questionamentos ao resultado eleitoral ampliaram as divergências em torno do senador, inclusive entre segmentos do eleitorado conservador.
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