Vorcaro também financiou filmes sobre Lula e Temer

Ana Nobrega
Pavimentação

Segundo informações divulgadas pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, Daniel Vorcaro teria investido recursos em produções biográficas ligadas aos três ex-presidentes brasileiros.

Foto: Beto Barata/PR


O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, teria financiado produções cinematográficas sobre os ex-presidentes Michel Temer, Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. As informações foram divulgadas pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

De acordo com pessoas próximas a Vorcaro, o banqueiro teria realizado aportes financeiros em filmes biográficos considerados “hagiografias” dos líderes políticos. Um dos projetos é o longa “963 dias — A história de um presidente que recolocou o Brasil nos trilhos”, sobre Michel Temer, com estreia prevista para o próximo mês e direção de Bruno Barreto.

O produtor do documentário e ex-assessor de Temer, Elsinho Mouco, negou que tenha recebido recursos de Vorcaro para a produção. Temer, por sua vez, confirmou já ter prestado serviços ao Banco Master como advogado constitucionalista. Segundo informações divulgadas, o ex-presidente recebeu R$ 10 milhões da instituição financeira no ano passado por serviços relacionados a uma tentativa de negociação entre o banco e o BRB.

Em entrevista à CNN Brasil, Temer afirmou que os valores recebidos foram honorários advocatícios. “Não recebi dinheiro, recebi honorários, sou advogado”, declarou.

Outro projeto citado é o documentário “Lula”, lançado em 2024 e dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone. A Secretaria de Comunicação da Presidência negou que o governo federal ou o presidente tenham solicitado financiamento para a obra.

Já no caso do filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro, mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil apontam que Daniel Vorcaro teria se comprometido, em novembro de 2025, a repassar US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para financiar o projeto.

Segundo as informações divulgadas, aproximadamente US$ 10,6 milhões, equivalentes a cerca de R$ 61 milhões, já teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações financeiras relacionadas ao longa.

O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter buscado recursos junto ao banqueiro para viabilizar o filme sobre o pai. Em nota, ele afirmou que não houve irregularidade e classificou o caso como “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”. O parlamentar também voltou a defender a criação da CPI do Master.


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