Faixa-preta 4º grau, Jean Frank superou lesões, formou atletas com deficiência e hoje é referência no parajiu-jitsu dentro e fora do Brasil.

Jean Frank na Alemanha – Foto: Arquivo Pessoal
A trajetória de Jean Frank nas artes marciais começou ainda na infância, em 1981, quando iniciou os treinos de judô com o Sensei Ernesto Peleteiro. No mesmo ano, após a perda da mãe, precisou se mudar para a casa dos avós maternos, permanecendo afastado das lutas até retornar a Serrinha, em 1983.
Anos depois, em 1990, voltou ao universo das artes marciais através do karatê, treinando com o Sensei Marcos Voguel, conhecido como Mimo. Após dois anos, afastou-se novamente e reencontrou sua paixão pelas lutas no Kung Fu, sob orientação do Sifu Geo, da Igreja Batista Monte Horebe.
Sem incentivo para disputar campeonatos na modalidade, Jean decidiu migrar para o jiu-jitsu em 1999, treinando com o professor Humberto Tavares, de Feira de Santana, ao lado dos professores Edmilson Ribeiro e Ivana Santana. Foi no jiu-jitsu que passou a competir e rapidamente conquistou destaque, tornando-se campeão baiano nos anos de 1999 e 2000.
No fim de 2001, uma lesão no ombro causada por esforço repetitivo o afastou dos treinos e competições. O retorno aconteceu apenas em 2003, incentivado por uma nova geração de atletas da modalidade. Entre eles estava o hoje renomado Sensei Valdir Reis, apontado por Jean como uma das pessoas responsáveis por fazê-lo reencontrar o amor pelo esporte.
Atualmente, Jean Frank é faixa-preta 4º grau de jiu-jitsu e se consolidou como uma referência no parajiu-jitsu, modalidade adaptada para atletas com deficiência física. Como professor, foi eleito por dois anos consecutivos o melhor técnico da modalidade, graças ao trabalho realizado com o atleta Cícero, que perdeu uma das pernas após um acidente de moto e encontrou no esporte uma nova oportunidade de superação.
O reconhecimento pelo trabalho desenvolvido levou Jean Frank à Europa. Recentemente, ele esteve na Alemanha e compartilhou detalhes da experiência internacional.
“Cara, a experiência foi muito boa. Outra cultura, outro idioma. Você estava ao lado de pessoas conversando e não tinha noção do que estavam falando”, contou.
Segundo Jean, a comunicação durante as aulas aconteceu graças à linguagem universal do esporte. “As aulas foram tranquilas porque eu tinha meu aluno que fala alemão fluente. E mesmo quando fiquei sozinho no tatame, me comunicava através dos golpes de jiu-jitsu. Até mímica usei. Em outros momentos recorri ao celular, aplicativos e ao Google Tradutor”, relatou.
A história de Jean Frank é marcada por superação, dedicação e inclusão, levando o nome de Serrinha para além das fronteiras do Brasil através do esporte.
Fotos:

Em 2022, foi graduado ao 4º Dan da Faixa Preta pelo professor Valdir Reis e pelo mestre Humberto. Vale ressaltar que o mestre Humberto foi o primeiro professor de Jean Frank, no ano de 1999, e Valdir Reis passou a treiná-lo em 2003.

Jean e amigos ainda como faixa-branca no Shopping Barra, em Salvador, no ano de 1999.

Aluno que Jean foi graduar na Alemanha.

Fotos de vários momentos de Jean Frank, entre a Bahia e a Alemanha.
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