Endividamento em alta: 23º pedido de empréstimo do governo acende alerta sobre impacto nas contas da Bahia.

Foto: Joá Souza/GOVBAHIA
Os sucessivos pedidos de empréstimos do governo Jerônimo Rodrigues acendem um alerta importante sobre o futuro das contas públicas da Bahia. Ao todo, já são 23 solicitações, que somam R$ 26,7 bilhões — um volume que ultrapassa, com folga, o de seus antecessores.
Embora o governo argumente que os recursos serão destinados a áreas essenciais como educação, saúde e infraestrutura, o ritmo acelerado dessas operações preocupa, sobretudo porque parte significativa do orçamento futuro do Estado já está comprometida com dívidas. Como bem ressaltou a oposição, se mais de um terço do orçamento projetado para 2027 dependerá de operações de crédito, isso significa menos margem para investimentos com recursos próprios e maior dependência de financiamentos.
Além disso, a forma como esses empréstimos vêm sendo aprovados — com longas sessões, obstruções e forte resistência da oposição — indica que não há consenso sobre a real necessidade, prioridade e sustentabilidade dessas operações. Endividar o Estado não pode ser tratado como ferramenta rotineira de gestão, sob risco de comprometer gerações futuras e reduzir a capacidade de resposta do governo em momentos de crise.
É legítimo que a Bahia busque investimentos, mas recorrer ao crédito de forma contínua, volumosa e pouco debatida aprofunda a sensação de descontrole fiscal e falta de planejamento. Empréstimo não é solução permanente — é instrumento excepcional. E, neste ritmo, corre o risco de se tornar um problema.
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