Programa promete energia gratuita para famílias pobres, mas repassa custo aos consumidores que não são beneficiados, pressionando contas especialmente no Sul e Sudeste.

Foto: Reprodução/Internet
O governo federal lançou o programa “Luz do Povo”, que promete energia gratuita para famílias de baixa renda. A proposta, apresentada como um grande avanço social, pode acabar se transformando em mais um peso nas contas de quem já paga caro pela eletricidade no Brasil.
Pelas novas regras, famílias inscritas no Cadastro Único que consomem até 80 kWh por mês ficam isentas de pagar a conta de luz. Já aquelas que consomem até 120 kWh podem ter desconto de até 12%. À primeira vista, parece uma boa notícia — mas o custo dessa “luz de graça” não desaparece: ele será bancado pelos demais consumidores, por meio da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um fundo sustentado com dinheiro vindo das próprias tarifas.
Na prática, isso significa que o benefício para uns será compensado pelo aumento da conta de outros. Segundo projeção da consultoria TR Soluções, a conta de luz residencial deve subir cerca de 8% em 2026, e o aumento será ainda maior nas regiões Sul e Sudeste, justamente onde há mais consumidores fora da faixa de isenção.
Enquanto o governo celebra o “alívio” para milhões de famílias, especialistas alertam para o efeito cascata que esse tipo de política causa: quem paga em dia e consome mais acaba subsidiando o sistema. O resultado é um modelo que, embora pareça social, aprofundará o desequilíbrio tarifário e colocará sobre a classe média e os pequenos empreendedores o custo da generosidade estatal.
Em ano pré-eleitoral, o “Luz do Povo” soa como uma aposta política travestida de solidariedade. O problema é que, no fim das contas, a conta sempre chega — e quem paga é o contribuinte comum.
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