Lula diz que gestor que deixa obra parada deve ser preso, mas número cresce em seu governo

Ana Nobrega
Pavimentação

Apesar do discurso contra a paralisação de obras públicas, levantamento mostra que interrupções aumentaram 40% em 2024.

Foto: Reprodução/Google


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente, nesta quinta-feira (2), a prática de gestores públicos que deixam obras paradas por motivos políticos. Durante agenda no município de Breves, na Ilha do Marajó, no Pará, Lula defendeu que esse tipo de conduta deveria ser criminalizada. “Sinceramente, acho que muitos administradores públicos deveriam ser presos por irresponsabilidade”, disse.

A declaração foi feita durante a entrega de três unidades de ensino na região, uma delas iniciada ainda em 2011 e que, assim como outras mais de 100, permaneceu paralisada por anos. Segundo o presidente, interromper obras por terem sido iniciadas por adversários políticos é uma falta de respeito com a população.

“Obras estão sendo inauguradas 15 anos depois. Quando você deixa uma obra paralisada porque foi o seu adversário que começou, você não está tendo nenhum respeito pelo povo da sua cidade”, afirmou Lula, ao anunciar novos investimentos em infraestrutura educacional na Ilha do Marajó.

Apesar do discurso, dados mostram que o número de obras paradas tem crescido durante o atual governo. Levantamentos apontam que, em 2024, o país soma 11.941 obras públicas interrompidas — um aumento de 38% em relação ao início da atual gestão.

Veja a evolução dos números:

  • 2022: 22.559 obras totais, sendo 8.674 interrompidas;

  • 2023: 21.005 obras totais, sendo 8.603 interrompidas;

  • 2024: 22.958 obras totais, sendo 11.941 interrompidas.

O aumento expressivo em 2024 representa um crescimento de 40% em relação ao ano anterior. De acordo com estimativas, os prejuízos acumulados com essas paralisações ultrapassam os R$ 9 bilhões, valor que poderia ser utilizado na conclusão de milhares de projetos em áreas essenciais como educação, saúde e infraestrutura.

Enquanto o governo federal tenta retomar obras antigas e lançar novas promessas, a realidade mostra que o desafio da gestão eficiente ainda está longe de ser superado.


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