“Se o produto tá caro, não compra”: consumo de café despenca quase 16% com alta histórica nos preços

Ana Nobrega
Pavimentação

Com alta de até 85% no preço, consumo da bebida tradicional despenca e reflete o impacto direto da inflação no bolso do brasileiro.

Foto: Reprodução/Freepik


Parece que a frase dita pelo presidente Lula — “se o produto tá caro, não compra” — caiu no gosto (ou na indignação) do consumidor brasileiro (veja vídeo). O recado foi seguido à risca no caso do café, uma das bebidas mais tradicionais do país. De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o consumo da bebida caiu 15,9% em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

O principal motivo para essa retração é o aumento expressivo nos preços. Em apenas 12 meses até abril, o café acumulou uma alta de impressionantes 80%, segundo o IBGE — a maior inflação do setor em 30 anos.

Entre os diferentes tipos de café, o solúvel foi o campeão da carestia, com aumento de 85% no preço. Veja a variação dos preços no comparativo de abril de 2024 com abril de 2025:

  • Café solúvel: +85%

  • Gourmet: +56%

  • Tradicional/Extraforte: +50%

  • Especial: +42,3%

  • Superior: +29%

No acumulado de janeiro a abril deste ano, as vendas de café no varejo somaram 4,7 milhões de sacas de 60 quilos, uma queda de 5,13% em relação ao mesmo período de 2024. O varejo responde por cerca de 73% a 78% do consumo interno de café no Brasil.

O café virou artigo de luxo

O que era item básico na mesa do brasileiro virou quase um luxo. Os aumentos nos preços não apenas assustam como afastam o consumidor. E embora fatores como clima e produção influenciem o custo, é difícil justificar tamanha escalada sem repensar a cadeia produtiva e o peso da especulação no setor.

Se a orientação é deixar de comprar para forçar a queda, o consumidor parece estar cumprindo sua parte. Resta saber se os produtores, comerciantes e o governo estão atentos ao sinal de alerta: o café pode até ser forte, mas o bolso do brasileiro tem limites.


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