Nordeste concentra 17 dos 20 municípios com maiores taxas de homicídios do país; Jequié aparece entre as cidades mais violentas do ranking nacional.

Foto: Google Imagens
O Atlas da Violência 2026, divulgado na terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revelou um cenário preocupante para a segurança pública no país. De acordo com o levantamento, seis das 10 cidades mais violentas do Brasil estão localizadas na Bahia, enquanto o Nordeste concentra 17 dos 20 municípios com as maiores taxas de homicídios do país.
O estudo utilizou dados referentes ao ano de 2024 e analisou os índices de violência nos 336 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. Em todo o país, foram registrados 42.590 homicídios, resultando em uma taxa nacional de 20,1 mortes por 100 mil habitantes.
Entre os destaques negativos da Bahia está o município de Jequié, no sudoeste do estado, que aparece como a segunda cidade mais violenta do Brasil, com taxa de 79,4 homicídios por 100 mil habitantes — número mais de três vezes superior à média nacional. Além de Jequié, cidades como Camaçari e Simões Filho, ambas na Região Metropolitana de Salvador, também figuram entre as mais violentas do país.
As cidades baianas citadas no ranking já haviam aparecido anteriormente no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, divulgado em julho de 2025, reforçando o cenário de violência persistente em diversas regiões do estado.
No ranking nacional, a liderança ficou com Maranguape, no Ceará, que registrou taxa estimada de 87,2 homicídios por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Jequié (79,4) e Maracanaú, também no Ceará, com 74,1 homicídios por 100 mil habitantes. A Bahia concentra 10 cidades entre as 20 mais violentas do país, enquanto o Ceará possui cinco municípios na lista.
O Atlas também chama atenção para os índices de homicídios de mulheres na Bahia. Enquanto a média nacional é de 3,4 mortes por 100 mil habitantes, o estado registra taxa de 5,4. Apesar do índice acima da média brasileira, houve redução de 10% entre 2023 e 2024.
Segundo o levantamento, 46 municípios brasileiros apresentaram taxas superiores a 40 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto 62 cidades ficaram abaixo de 10. Ao todo, 194 municípios registraram índices inferiores à média nacional estimada de 23,4 homicídios por 100 mil habitantes.
Para a elaboração do ranking, o Atlas da Violência utilizou a chamada taxa de homicídios estimados, metodologia que considera não apenas os homicídios oficialmente registrados, mas também os chamados “homicídios ocultos”. Esses casos são identificados por meio de modelos de aprendizado de máquina, que analisam características das vítimas e circunstâncias de mortes inicialmente classificadas como de causa indeterminada, estimando quantos desses registros podem, na realidade, corresponder a homicídios.
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