Serrinhense é eleito delegado da Comissão Nacional da Cultura Hip-Hop durante a 6ª TEIA Nacional de Cultura Viva

Ana Nobrega
Pavimentação

Representando a Bahia e o Nordeste, BLOT MIR conquista espaço histórico nas articulações nacionais da Cultura Viva e fortalece a voz do hip-hop periférico do interior baiano.

Foto: Divulgação/BLOT MIR


O artista urbano, articulador cultural e representante do coletivo MIR CREW DESDE 2000, BLOT MIR, natural de Serrinha, alcançou mais um importante marco para a cultura hip-hop do interior da Bahia e da região Nordeste.

Após uma intensa trajetória de participação nas articulações da Rede Cultura Viva, o serrinhense foi eleito delegado estadual de Cultura da Bahia durante a 3ª TEIA dos Pontos de Cultura da Bahia, realizada em Feira de Santana. Durante o encontro, articulou junto a diversas redes, coletivos e Pontos de Cultura do hip-hop baiano a criação do GT — Grupo Temático da Cultura e Movimento Hip-Hop da Bahia, fortalecendo a representatividade da cultura urbana nas políticas públicas culturais do estado.

A atuação de BLOT MIR ganhou ainda mais destaque na sequência das articulações culturais. Posteriormente, ele foi eleito delegado nacional de Cultura, passando também a integrar a Comissão Estadual de Cultura da Bahia e a Comissão Executiva da Bahia para a 6ª TEIA Nacional de Cultura, realizada em Aracruz.

Durante a grande mobilização nacional da Cultura Viva, o representante serrinhense foi eleito delegado da Comissão Nacional da Cultura Hip-Hop, passando a representar oficialmente a Bahia e a região Nordeste nos debates, construções e articulações nacionais ligadas ao movimento hip-hop e às políticas públicas culturais brasileiras.

A conquista representa não apenas uma vitória pessoal, mas também o reconhecimento da força da cultura periférica produzida no interior nordestino. BLOT MIR é considerado uma das referências pioneiras do movimento hip-hop na região sisaleira, mantendo uma trajetória contínua de resistência, formação social, graffiti, mobilização comunitária e atuação cultural por meio do coletivo MIR CREW DESDE 2000.

Sua caminhada ajudou a abrir caminhos para novas gerações de artistas urbanos, coletivos independentes e agentes culturais do interior da Bahia.

A composição da Comissão Nacional da Cultura Hip-Hop também marcou um importante avanço na representatividade cultural brasileira. Ao todo, foram eleitos 10 delegados nacionais — cinco homens e cinco mulheres — respeitando a diversidade regional do país, com representantes do Nordeste, Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A construção coletiva reforça o compromisso do movimento hip-hop com a democracia cultural, a igualdade de representação e a valorização das diferentes realidades sociais e territoriais do Brasil.

Outro momento marcante da trajetória do coletivo durante as articulações da Cultura Viva foi o recebimento da placa oficial de reconhecimento do Ponto de Cultura MIR CREW DESDE 2000, entregue pelo Ministério da Cultura (MinC), consolidando oficialmente a importância histórica, social e cultural desenvolvida pelo coletivo ao longo de décadas no interior da Bahia.

Durante o V Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, dentro do Eixo 3 — Cultura Viva, Trabalho e Sustentabilidade da Criação Artística, BLOT MIR também apresentou propostas voltadas ao fortalecimento dos Pontos e Pontões de Cultura de todo o Brasil, defendendo ações continuadas com valores fixos para manutenção, remuneração e subsistência dos agentes culturais.

Entre as pautas defendidas, destacou a necessidade de maior fortalecimento da cultura hip-hop, das matrizes africanas, da população LGBTQIAPN+, das culturas periféricas e urbanas, além da criação de editais específicos para o hip-hop, principalmente nos interiores do país, buscando desburocratizar o acesso às políticas públicas culturais e democratizar os recursos destinados à cultura.

Durante sua fala no fórum nacional, BLOT MIR deixou uma reflexão que marcou os debates da plenária:

“Se não gritarmos, não seremos vistos e muito menos escutados e lembrados.”

“O meu grito não foi apenas pelo hip-hop, foi por todos os movimentos, pontos, pontões e agentes culturais do nosso país, em nome da nossa ilustre e querida Bahia.”

A trajetória do artista reforça a importância dos coletivos independentes, dos Pontos e Pontões de Cultura, dos movimentos sociais e dos agentes culturais que diariamente constroem transformação social por meio da arte, da educação e da cultura popular.

A eleição fortalece não apenas o hip-hop baiano, mas também a presença do Nordeste nas discussões nacionais da Cultura Viva, reafirmando o protagonismo das periferias e dos territórios populares na construção cultural do país.

Fotos: Divulgação/BLOT MIR


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